Os conceitos abaixo, coletados por Carlos Antônio Baccelli, biógrafo de Chico, valem por uma verdadeira declaração de princípios ético-espirituais.
Como o próprio nome indica, esses conceitos nos levam a profunda reflexão. Ei-los:
“Anotei o que Chico nos disse, certa vez”, registra Baccelli:
“Estamos numa doutrina de muitos contatos… Temos oportunidade de fazer muitos amigos… O trabalho a ser desenvolvido é imenso… Temos a crença na imortalidade, o intercâmbio com os irmãos desencarnados, o conhecimento do evangelho… A visão que o Espiritismo nos proporciona da Vida é maravilhosa…
Compreendemos a função da dor e adentramos a causa das provações humanas… Oramos, sabendo que a prece é o nosso fio de ligação com Deus… As nossas perspectivas para o futuro da Humanidade são as melhores… A nossa fé é um tesouro!…
Mas, se somos muito requisitados, se temos muitos envolvimentos doutrinários, muitas tarefas, compromissos, mediunidade, não podemos nos esquecer de que o momento do testemunho é uma hora extremamente solitária…
A vivência cotidiana do Evangelho é pessoal; nem os espíritos poderão substituir-nos, quando formos chamados à aplicação de tudo quanto já sabemos, ou, pelo menos, supomos saber… Este é o problema fundamental do espírita – a sua própria renovação! O espírita que não se melhora, não está assimilando a Doutrina.
Dizem que eu tenho escrito muitos livros… Tudo é obra dos espíritos amigos. De fato, tenho recebido muita coisa, mas Emmanuel tem me ensinado que nenhum livro que eu possa ter recebido ou que venha a receber vale pelo que eu esteja fazendo de minha própria vida…
Tenho visto tantos médiuns preocupados em escrever, em publicar livros… Tudo muito justo – devemos fazer pela divulgação da Doutrina o que pudermos; no entanto, depois de tantos livros publicados, digo a vocês que a minha luta maior continua sendo comigo mesmo…
Tantos conflitos entre os companheiros de ideal, tantas disputas, tanta cizânia… Ora, após a desencarnação, só poderemos recorrer às nossas próprias obras… Os benfeitores espirituais, por mais queiram, nada poderão fazer para nos alterar a realidade… No Espiritismo, ninguém faz mais do que aquele que se esforça para viver conforme crê – ou seja, colocando em prática a lição…
As ações são minhas, mas os livros pertencem aos espíritos! Não posso reivindicar a obra de Emmanuel para mim. Eu não fiz nada! O médium não passa de instrumento… Dei apenas do meu tempo, e muito pouco: poderia ter dado mais, dormido menos, me preocupado menos com os outros, mormente com aqueles que sempre criticaram as minhas imperfeições no trabalho dos espíritos…
Tenho receio de ver a minha ficha no Mundo Espiritual… Não vou pedir para ver coisa alguma… Se eu puder continuar trabalhando, renderei graças! A Misericórdia Divina há de me possibilitar continuar rastejando para a frente… Rastejando, sim, mas para a frente!… Não posso mais pensar em retrocesso… Então, eu não compreendo tanta vaidade, tanta pretensão… Vamos preocupar-nos com os outros, mas para auxiliar… ”
Fonte: livro O Apóstolo do Século XX, Chico Xavier, Weimar Muniz de Oliveira

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