Desde as eras mais remotas, instituíram-se as oferendas para agradar a Deus e aos santos a fim de obter benefícios de ordem material. Tais atos, por exemplo, eram habituais no Templo de Jerusalém e, por sua inutilidade, foram objeto de censura do próprio Jesus.
Por isso a recomendação do Cristo que, antes de fazer a oferenda, deveríamos nos reconciliar com o adversário.
As promessas tiveram uma razão de ser, devido à falta de esclarecimento espiritual das pessoas que as praticavam.
Segundo o dicionário da língua portuguesa, a palavra penitência faz referência a arrependimento, remorso de haver ofendido a Deus. Já o sacrifício tem o sentido de fazer “alguma coisa sagrada”.
De um modo geral as penitências são caracterizadas por provações que aproximam, de alguma forma, o homem de Deus.
Os amigos espirituais em “O Livro dos Espíritos” quando perguntados em que consiste, segundo os ensinamentos cristãos, a verdadeira penitência, nos responderam o seguinte:
“….A penitência, tal como a entendia Jesus, não consiste na reclusão em claustros, nos cilícios e em outras tribulações materiais. Ela consiste no arrependimento sincero e profundo e no propósito firme em que a criatura se coloca de não tornar a cometer faltas e, ao mesmo tempo, esforçar-se por reparar as já cometidas.”
Quanto às promessas, observa-se que o pagamento delas quase sempre está condicionado a despesa ou sacrifício das pessoas. Só depois de recebido o favor é que vem o pagamento, ou seja, ofertando ao santo todos os tipos de velas entre outras coisas ou fazendo penitências de todas as formas. Se para nada se aproveita, que sentido pode ter para as divindades a despesa ou o sacrifício das pessoas? Poderíamos fazer uma trova dizendo: “A luz que ilumina a alma é somente a da oração, porque a luz da vela acesa, só gera mais poluição”.
Até que ponto as penitências são válidas?
Buscando a resposta em "O Livro dos Espíritos", na pergunta 720, no Capítulo V – “Da Lei de Conservação”, temos:
- São meritórias aos olhos de Deus as privações voluntárias, com o objetivo de uma expiação igualmente voluntária?
“Fazei o bem aos vossos semelhantes e mais mérito tereis”.
Analisando as afirmativas contidas em “O Livro dos Espíritos”, observamos que a visão do Espiritismo com relação às penitências, difere de outras religiões. Para a Doutrina dos Espíritos, as privações somente são válidas quando afastam o homem das futilidades materiais que nada acrescentam na evolução do Espírito, entretanto, deve ser um exercício contínuo na busca pelo progresso moral.
A conclusão a que nos leva o Espiritismo é que a energia e o dinheiro gastos em rituais, privações, flagelos deveriam ser usados para a ajudar o próximo, pois que essa energia tem seu gasto recompensado porque se fundamenta na caridade sem egoísmo e sem esperar retribuições.
Você está grato a Deus por algo bom que lhe aconteceu, por uma conquista que considera ter alcançado em virtude do amparo da Espiritualidade Superior? Por que não demonstra a sua gratidão fazendo caridade a alguém que esteja necessitado?
Os “santos e santas” das diversas igrejas espalhadas pelo mundo moderno, foram homens e mulheres que existiram de verdade, mas que souberam conduzir bem sua vida na Terra com atitudes de caridade que deveriam servir de exemplo aos seus devotos.
Entretanto, a maioria não segue esses exemplos de amor ao próximo, lembram-se deles apenas para pedir: emprego, curas, resolução de problemas financeiros , problemas no casamento, pedir, pedir…, etc.
É comovente ver a fé das pessoas mais simples, mas os que já conseguem entender o verdadeiro sentido da fé (…”a fé sem obras é morta”…), devem mudar seu modo de pensar e agir para que possamos mudar séculos de ignorância. Só assim cresceremos e ajudaremos os que convivem conosco a crescer. Enquanto isso, muitos continuam comercializando diversos objetos em nome dos “santos”.
Precisamos nos lembrar que Jesus repreendeu o comércio no templo religioso, entretanto, estamos marcando passo há séculos porque nos acomodamos com certos dogmas e rituais religiosos, acreditando que possam agradar a Deus sem perceber que o que agrada a Ele é a nossa mudança de atitude no dia a dia!
Que nossa penitência seja sempre a de esforçarmo-nos para melhorar e combater os nossos defeitos e, nossa promessa, a de trabalhar pelo semelhante para ajudar na harmonia do mundo. O resto é tempo perdido e pura ilusão.
A evolução espiritual é o objetivo e sem o conhecimento continuaremos fazendo barganha com Deus, Jesus, Maria e outros, através das promessas: “se eu te der isso, espero que você me dê aquilo”, nas caminhadas com cruzes nas costas, com os dízimos absurdos e mal administrados, com as promessas pagas, ao invés de retribuir o bem recebido fazendo bem ao próximo e a nós mesmos, procurando mudar nossas atitudes, crescendo e amadurecendo de forma consciente para sabermos lidar com a vida e seus desafios em nosso dia a dia!
Para finalizar, devemos,entender que quem deseja progredir, que trabalhe e estude sempre e muito. Quem deseja ter felicidade, que modifique sua maneira de ser e de pensar.
Convém recordar a passagem da mãe que pediu ajuda ao preto velho para seu filho passar nos exames escolares. O bom homem orientou: “Fala pro menino enfiar a cara nos livros, dia e noite, que preto velho vai ajudar”. Receita simples para o sucesso! Imaginar que podemos comprar nossa reforma íntima com uma vela acesa, um buquê de flores ou uma penitência sem proveito é pura tolice.
Que possamos trocar a “promessa” pelo “compromisso”, ou seja, ao invés de prometer algo a Deus ou ao “santo” por um favor recebido, que consigamos nos comprometer com Deus a conquistar, pelo esforço próprio o nosso aprimoramento e nossa felicidade, colaborando dessa maneira, para o nosso próprio bem, do próximo e de um mundo feliz.
Jesus já ensinava: “Ajuda-te e o Céu te Ajudará”.
Quem quer receber o bem, faça o,bem! Não há outro caminho!
Maria Izilda Netto
Fonte: Rádio Boa Nova
Imagem: alfaiasdavida.blogspot.com

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